Friday, December 26, 2008

OS PERGAMINHOS DO MAR MORTO DESCOBERTOS EM QUMRAN

ARQUEOLOGIA

PESQUISA SOBRE OS PERGAMINHOS
DO MAR MORTO DESCOBERTOS EM QUMRAN


Trabalho apresentado segundo as exigências da disciplina de Arqueologia, do curso de Bacharel em Teologia, sob a orientação do Prof. Rogério de Carvalho Lima.


FACULDADE EVANGÉLICA DE TEOLOGIA
SEMINÁRIO UNIDO - OSWALDO CRUZ - RJ- 2003

A CONTRIBUIÇÃO DE QUMRAN(1)


Até a metade do século XX, os manuscritos dos livros bíblicos mais antigos eram dos séculos X-XI. Graça as descobertas de Qumran, nós temos manuscritos anteriores de nossa era.

Os famosos manuscritos do Mar Morto foram descobertos, de 1947 ate 1956. Aqueles que estavam nas grutas acima de Khirbat Qumran são os mais importantes. Outros foram encontrados nas grutas mais no Sul, e também nas ruínas da fortaleza de Massada. No total onze grutas na região de Qumran. As descobertas realizadas na primeira (1Q), na quarta (4Q) e na décima - primeira (11Q) são as mais interessantes das grutas(2).
Um quarto deles pertence ao conjunto geralmente chamado de Antigo Testamento.

No total, há 173 manuscritos distintos dos livros da Bíblia hebraica (25 do Deuteronômio, 31 dos Salmos, etc.); alguns são em aramaico (Targoum de Jó), outros em grego (Êxodo e Levítico segundo a tradução da Setuaginta). Esses vão de fragmentos muito pequenos de dois ou três versículos, até o grande rolo de Isaías que inclui integralmente os sessenta e seis capítulos deste profeta e mede 7, 30 m de cumprimento e 27 cm de largura; ele foi copiado cerca 120-100 antes de nossa era.

Todos os livros da Bíblia hebraica são atestados, em exceção de Ester. Mas nenhum texto do Novo Testamento é representado, mesmo um pequeno fragmento não tem. Porque a grande maioria dos textos de Qumran é anterior à era cristã, e os Essênios que moravam a Qumran deixaram a região há cerca de 68 de nossa era, no início da guerra judeu, na época em que as cartas de Paulo ainda não chegaram a este povo e também a redação dos evangelhos não começou. Os Essênios eram considerados como uma seita judia praticando o ascetismo, o celibato e a comunidade dos bens.

Nós temos o Novo Testamento e a tradução grega do Antigo Testamento a partir de manuscritos copiados por cristãos no quarto século (codex vaticanus) e alguns fragmentos a partir dos papiros mais antigos. Mas os manuscritos da Bíblia hebraica (o texto recebido hoje como canônico) que tínhamos até hoje são todos dos séculos X-XI. Agora graças aos manuscritos do Mar Morto, nós temos acesso a textos bíblicos escritos por judeus antes de nossa era. E as variações dos manuscritos são bem claras: nós podemos no final ter uma idéia de como a Bíblia foi constituída no estado que nos a lemos hoje.

Quando, cerca de 250 antes de nossa era, em Alexandria, a Septuaginta, a tradução grega do Pentateuco (Tora), depois a tradução dos Profetas apareceu, o cânon das Escrituras ainda não estava fechado e o fenômeno de fixação definitiva ainda não havia totalmente separado a transmissão do texto e o comentário daquele. Pouco perceptível para o Pentateuco (mas no Êxodo 35-40 há diferencias importantes), este fenômeno é muito visível nos textos dos Profetas, como Jeremias. Sobre a terceira parte da Bíblia hebraica, ela contém obras como os Salmos, Jó, etc.; mas sua fixação definitiva não está feita. Na Septuaginta, nós encontramos obras desconhecidas da Bíblia massoretica, como a Sabedoria, quatro livros dos Macabeus, Tobias, o Siracida... Estes dois últimos fazem parte também dos manuscritos do Mar Morto. O povo de Qumran acrescentavam também a Bíblia: o livro de Henoc, Tobia... É um sinal que o cânon das Escrituras não estava concluído.

O texto do grande rolo de Isaías não tem grandes diferenças com o texto hebraico atual, apesar que há algumas variações conforme o grego da Septuaginta. Haviam rolos da Bíblia bem diferentes uns dos outros. Um trabalho de correção dos manuscritos foi iniciado na época de Jesus até o final do primeiro século de nossa era, todas as obras do tipo apocalíptica (a exceção do livro de Daniel) muito presentes dentre a literatura de Qumran foram rejeitados.

A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA
A Regra da comunidade de Qumran impõe que seus membros "velam juntos durante um terceiro de todas as noites do ano para ler o Livro (= a Bíblia)". Esta leitura produz resultados definidos, como está registrado nos manuscritos.

Os Essênios pensavam ter chegado nos últimos tempos: o fim trágico deste mundo e a vinda do novo mundo estavam próximos. Esta escatologia apocalíptica se encontra no Rolo da Guerra dos filhos da luz contra os filhos das trevas. E também aparece na leitura das Escrituras. Quando eles comentam os textos proféticos de Naum e Habacuque ou ainda o Salmo 37, os Essênios não deixam uma significação aberta; eles explicam cada versículo mostrando como ele foi cumprido na história da comunidade qumraneana. O sentido do texto é desta forma fechado. Por exempla, Naum 2, 12, "O leão" é Demetrius, rei de Yavan (= Antioquia na Síria), quem procurou a entrar em Jerusalém segundo o conselho dos fariseus. Até as descobertas dos manuscritos do Mar Morto, pensávamos que este tipo de exegese era praticado só pelos cristãos.

Os Essênios de Qumran tinham a convicção de ser o "santo que sobra" pronto para enfrentar o final dos tempos. Eles praticavam a comunidade dos bens (Regra da comunidade) para imitar o povo de Israel no Sinai. Eles tinham um propósito eclesial: eles acreditavam ser o "povo convocado" por Deus (isso é sentido da palavra "igreja") que ia passar no novo mundo. Tudo isso nos dá um entendimento novo para vários textos do Novo Testamento (a partilha dos bens em Atos 4: 32 por exemple). É interessante também de ver as similaridades da idéia de Igreja da comunidade Qumran e de Jesus e seus discípulos.


NOTAS:
[1] COUSIN, H.- Actualité des Religions, p.62

[2] NDOFUSU, L.- Apostila de Introdução Bíblica, p. 22


REFERÊNCIAS

COUSIN, Hugues. Actualité des Religions (Hors Série N°7) -
Paris - Publicações de la Vie Catholique, Setembro 2002.

NDOFUSU, Lola. Apostila de Introdução Bíblica - Rio de Janeiro


OUTRAS REFERÊNCIAS

CROSS, F. M.; The Ancient Library of Qumran - Doubleday &
Company, Inc., 1961.

DE VAUX, R.; L'Archéologie et les manuscrits de la Mer Morte -
Oxford University Press - Londres, 1961.

BURROWS, M.; The Dead Sea Scrolls - The Viking Press, Inc.; 1955

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